E nesse circo de horrores, um personagem se destaca: o senador Confúcio Moura (MDB), que agora, abertamente apaixonado por Lula e o PT, é o único rondoniense a apoiar essa entrega da BR-364 para os espertalhões
A privatização da BR-364 tem cheiro de negociata e sabor de desastre anunciado. Se o povo de Rondônia achava que já tinha visto tudo com a entrega da Ceron para a Energisa, prepare-se: agora vem a segunda dose da mesma poção amarga. Com a desculpa de modernização, o Governo Federal está entregando de bandeja a principal rodovia do estado para a iniciativa privada. E não se enganem, a fatura dessa generosidade estatal será paga pelo cidadão.
A história se repete, e os rondonienses já conhecem bem esse roteiro. Quando a Ceron foi vendida para a Energisa por meros R$ 50 mil, parecia um mau-negócio. Mas para a empresa, foi um verdadeiro bilhete premiado. Além de receber um monopólio garantido pelo Estado, ainda teve o privilégio de impor uma tarifa absurda: um aumento de 27% na conta de energia de uma só vez. E como se não bastasse, chegou com tudo, intimidando consumidores com apoio da Polícia Civil e Militar. Empreendedorismo de verdade é isso: pegar um setor estratégico a preço de banana e transformar em uma mina de ouro às custas do povo.
Agora, o governo Lula segue a mesma cartilha e empurra goela abaixo dos rondonienses a privatização da BR-364. Sem debate, sem consulta popular, sem transparência. Não há compromisso com melhoria real, apenas a promessa de um pedágio salgado. Fala-se em até R$ 2 mil para um caminhão percorrer os 700 km entre Porto Velho e Vilhena. Carros de passeio pagarão R$ 300 pelo privilégio de transitar pela única rodovia que liga Porto Velho ao resto do país. Mas e as melhorias? Apenas 100 km de duplicação para uma rodovia de quase 700 km. E olhe lá se essa promessa sair do papel.
A jogada é clara: primeiro cobram, depois talvez entreguem algo. Os postos de pedágio serão instalados antes de qualquer obra relevante. Ou seja, o dinheiro dos rondonienses será sugado de imediato, enquanto as melhorias ficam no “vamos ver”. É um negócio de mãe para filho, um esquema perfeito para encher os cofres de algum empresário esperto que adora falar em “livre mercado”, mas não tira a boca do cofre do Estado.
E nesse circo de horrores, um personagem se destaca: o senador Confúcio Moura (MDB), que agora, abertamente apaixonado por Lula e o PT, é o único rondoniense a apoiar essa entrega da BR-364 para os espertalhões. O que leva um político experiente a defender um projeto tão prejudicial ao seu próprio estado? Será convicção ou há algo mais por trás desse entusiasmo suspeito? O povo de Rondônia tem todo o direito de questionar.
O resultado? Porto Velho se tornará uma prisão a céu aberto. Sem a BR-364, não há saída. Quem não pagar o pedágio vai ficar preso na capital. Nem mesmo um bate-volta a Candeias do Jamari será viável sem deixar um pedaço do salário nas cancelas. A outra alternativa, a BR-319, continua uma esculhambacão que nunca termina. Ou seja, Porto Velho se transformará em um verdadeiro gueto.
E para piorar a situação, os rondonienses já estão praticamente impedidos de viajar para outros estados devido aos valores escorchantes das passagens aéreas. Agora, a coisa vai complicar ainda mais: com o aumento dos custos do frete rodoviário, o preço dos combustíveis, dos gêneros alimentícios e até das passagens de ônibus disparará. Tudo ficará ainda mais caro para a população de Rondônia, que já sofre com um dos custos de vida mais altos do país.
Agora, a história se repete com a BR-364. Mais uma vez, o povo de Rondônia fica com a conta e as grandes empresas ficam com o lucro. A pergunta que fica é: até quando os rondonienses vão aceitar ser explorados dessa maneira?
Por RUBENS COUTINHO – Jornalista



