Cidade celebra a instalação no dia 24 de janeiro e a importância de suas regiões pioneiras
Porto Velho nasceu em meio ao ruído dos trilhos, aos banzeiros do rio Madeira e ao encontro de diferentes nações atraídas pela construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Mais do que um ponto estratégico nesse canto da Amazônia, a cidade se formou como um espaço de convivência cultural, marcado pela diversidade e pela ocupação de bairros que ajudaram a definir sua identidade urbana. Entre eles, Triângulo, Arigolândia e Caiari ocupam papel central na história da capital rondoniense.
Ao redor da área planejada do complexo ferroviário, a cidade cresceu de forma espontânea. O bairro Triângulo, é considerado um dos mais antigos, localizado em uma região estratégica entre o rio Madeira e os primeiros eixos comerciais, tornou-se ponto de intensa circulação de pessoas e mercadorias. De acordo com a historiadora Rita Vieira, muitos trabalhadores da ferrovia e famílias barbadianas moraram por muitos anos no Triângulo, consolidando-se como um bairro popular, marcado pela convivência entre diferentes origens.
“É importante lembrar também de alguns morros que eram bairros naqueles períodos e que não existem mais, como por exemplo, o Querosene e o Alto do Bode. O morro Querosene era moradia de nordestinos migrantes que vieram para cá desde do ciclo da borracha e o morro Alto do Bode era um bairro barbadiano, de uma população afro-caribenha que migrou como mão de obra especializada para a construção da ferrovia”, disse a historiadora.
DOS TRILHOS À CIDADE
Além do bairro Triângulo, outras regiões merecem destaques na formação da cidade. O Arigolândia por exemplo, representa um capítulo importante da memória social de Porto Velho. A região surgiu a partir da ocupação de trabalhadores conhecidos como “arigós”, migrantes nordestinos que chegaram à região em busca de oportunidades ligadas à ferrovia e aos seringais. O Arigolândia tornou-se símbolo da luta, da resistência e da contribuição nordestina para a formação da cidade. O bairro também se destacou como espaço de manifestações culturais e de organização social.
“O bairro Arigolândia, que hoje é considerado elitizado, foi moradia da população nordestina que veio trabalhar aqui na região. Alguns historiadores, alegam que o bairro servia como uma região de quarentena, para que esses nordestinos ficassem por 40 dias assim que chegassem, para que só depois fossem inseridos no trabalho na Madeira-Mamoré”, concluiu Rita Vieira.
A região é marcada pela forte identidade cultural e histórica com a presença de pontos emblemáticos da cidade, como por exemplo, a castanheira do estádio Aluízio Ferreira, a Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, as Escolas Carmela Dutra e Duque de Caxias, o prédio da Assembleia Legislativa, o Clube de Regatas Flamengo e diversos outros pontos turísticos e históricos da capital.
PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO
De acordo com os historiadores, o bairro Caiari representa o núcleo inicial do planejamento urbano de Porto Velho. O bairro foi projetado para abrigar engenheiros e funcionários de alto escalão da ferrovia, refletindo a organização e a hierarquia social da época. O Bairro Caiari é considerado um dos primeiros conjuntos habitacionais do Brasil e foi inaugurado em 1940 pelo presidente Getúlio Vargas.
Localizado em uma área estratégica, o bairro abriga parte essencial do patrimônio histórico de Porto Velho: a Praça das Três Caixas D’Água, a primeira Igreja Batista, a Casa de Cultura Ivan Marrocos, o ginásio Cláudio Coutinho, a Biblioteca Dr. José Pontes Pinto, prédios históricos e diversos outros órgãos e instituições.
CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE
Segundo o Léo Moraes, essa mistura de povos reflete nos costumes, na memória coletiva e principalmente na identidade da cidadeCom o passar dos anos, Porto Velho expandiu-se para além de seus núcleos iniciais por meio de novas ocupações, muitas delas surgidas de forma espontânea, impulsionadas pelo aumento populacional e pela busca por moradia. Segundo a historiadora, a partir dessas áreas ocupadas, a cidade se reorganizou, ampliando seu território e incorporando novos bairros à dinâmica urbana, social e econômica de Porto Velho.
A história desses bairros revela que Porto Velho não foi construída apenas por grandes projetos de engenharia, mas principalmente pelas pessoas que ocuparam o território e criaram laços de pertencimento. Segundo o prefeito da capital, Léo Moraes, essa mistura de povos reflete nos costumes, na memória coletiva e principalmente na identidade da cidade.
“Caiari, Triângulo e o Arigolândia fazem parte da memória da nossa cidade. Esses bairros guardam as histórias do cotidiano, do trabalho, da cultura e principalmente dos nossos pioneiros que moldaram a nossa princesinha do Madeira”, finaliza Léo Moraes.
(Secom)

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