Redação O Bandeirante News
Por Paulo de Tarso – Jornalista
Comunidade construiu a escola, alunos percorrem 80 km de madrugada e a solução segue empacada na burocracia
Em Vila Petrópolis, no distrito de União Bandeirantes, a educação virou um drama em capítulos repetidos. Daqueles em que o cenário está pronto, o elenco é real, mas o roteiro insiste em não avançar. A escola existe, está construída, sólida, fruto do esforço coletivo da comunidade. Só não funciona. E, pelo visto, não funcionará tão cedo.

O que era para estar em pleno funcionamento neste ano se transformou em um embrolho administrativo difícil de engolir. Ao longo do tempo, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Porto Velho fez sucessivas promessas de que a unidade abriria as portas. Promessas que ficaram pelo caminho, enquanto a escola permanece fechada e a comunidade acumula frustração.
O capítulo mais recente da novela atende pelo nome de energia elétrica. Conforme relatos da própria comunidade, após conversas com a Semed, foi informado que os moradores teriam que arcar não apenas com a ligação da rede elétrica, mas também com a instalação de uma subestação. Em outras palavras: além de construir a escola com recursos próprios, agora a comunidade também teria que “ligar a luz” para que o poder público cumpra sua parte.

Segundo o morador e empresário local Ananias Martins, a situação ultrapassou qualquer limite de razoabilidade. “A comunidade não tem condições de bancar a construção da rede de energia. O que a gente podia fazer, já fez: construiu a escola. A responsabilidade agora é da Semed”, afirmou.
Ananias também relata dificuldades para conseguir apoio político. De acordo com ele, a comunidade já tentou, por diversas vezes, dialogar com o vereador eleito pela região de União Bandeirantes. “Foi muito difícil conseguir contato. Quando conseguimos, ele disse que estava tratando o assunto com uma servidora da Semed que acabou sendo exonerada, e que isso teria mudado tudo”, relata.
O que causou ainda mais indignação, segundo o morador, foi a justificativa recebida. “Ele nos disse que ‘gestão pública não depende de nós, é lenta e burocrática demais’. Isso é um absurdo. Nós o elegemos justamente para resolver os problemas da comunidade”, desabafou Ananias.
Enquanto o jogo de empurra segue, mais de 120 alunos da região da Vila Petrópolis pagam o preço diariamente. Crianças e adolescentes precisam sair de casa por volta das 3 horas da manhã para pegar o transporte escolar às 4h, enfrentando um trajeto de aproximadamente 80 quilômetros até União Bandeirantes. No período chuvoso, as dificuldades se multiplicam, com estradas precárias e riscos constantes.
A escola está ali, pronta, vazia, irônica. Um prédio que simboliza tanto a força da comunidade quanto a ausência de resposta do poder público. Não falta parede, não falta telhado. Falta decisão, prioridade e respeito.
A comunidade pede, mais uma vez, que as autoridades olhem para a escola da Vila Petrópolis e resolvam de forma definitiva uma situação que já se arrasta por tempo demais. Educação não pode depender de improviso, nem de sacrifício infinito de quem já fez além do que lhe cabia.
Até o fechamento desta matéria, não foi possível contato com a Secretaria Municipal de Educação de Porto Velho nem com a equipe do vereador que representa União Bandeirantes. O espaço segue aberto para manifestações.



