Grupo planejava fabricar explosivos e disseminar discursos de ódio pela rede
A investigação da Polícia Civil do Distrito Federal que resultou na operação “Rede Interrompida”, junto ao Ministério da Justiça, nesta semana, apontou que um grupo que planejava, pela internet, atentados contra políticos e prédios públicos em Brasília. As investigações tiveram início a partir de informações reunidas pelo CiberLab (Laboratório de Operações Cibernéticas).
O grupo era formado por homens que nunca tinham se encontrado pessoalmente. Em conversas monitoradas pelos investigadores, eles falavam em fabricar explosivos e disseminavam discursos de ódio pela rede. As comunicações ocorriam em dois grupos do aplicativo Telegram.
“Vocês deveriam listar os principais alvos para garantir o sucesso da revolução”, dizia uma das mensagens. Outras afirmavam: “Muito dificilmente nossos inimigos estão concentrados em um único lugar”.
Um dos integrantes do grupo utilizava a foto de Hitler como imagem de perfil. Entre os planos discutidos, estava o de “explodir o edifício do debate onde os eleitos do 2º turno irão debater”.
Um relatório do Ciberlab concluiu que o conteúdo compartilhado apresentava elevado grau de periculosidade, planejamento de atos violentos mediante utilização de artefatos explosivos, disseminação de ideologia neonazista, misoginia e incentivo à violência.
Grupos
O acesso aos grupos era restrito e dependia de links específicos ou buscas pelos nomes exatos. A maior comunidade reunia mais de 600 integrantes. Aqueles que demonstravam maior grau de radicalização eram convidados para um grupo fechado, com 46 pessoas, onde as discussões davam lugar a instruções para ações violentas.
Segundo o Ministério da Justiça, os integrantes compartilhavam manuais para fabricação de explosivos e coquetéis Molotov, além de informações sobre o desenvolvimento de artefatos explosivos. Também calculavam a quantidade de material necessária e os custos para executar os ataques. Os administradores dos grupos, de acordo com a pasta, buscavam identificar integrantes dispostos a matar.
Conversas monitoradas pelos investigadores indicam que o principal objetivo era invadir e explodir prédios públicos, especialmente o Palácio do Planalto. A intenção, porém, ia além da destruição física: o grupo pretendia enviar, a partir de Brasília, uma mensagem violenta e antidemocrática para todo o país.
Operação
A Polícia Civil do Distrito Federal, junto ao Ministério da Justiça, deflagrou, naa terça-feira (4), a operação “Rede Interrompida” para investigar um grupo suspeito de planejar ataques contra autoridades e estruturas relacionadas às eleições deste ano.
Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Durante as diligências, os policiais apreenderam armas de fogo, facas e canivetes. Também foram encontrados materiais com referências ao nazismo e a organizações extremistas de caráter racista. Entre os objetos recolhidos está um chapéu semelhante aos associados historicamente à Ku Klux Klan.
A investigação apura possíveis crimes de associação criminosa, incitação ao crime, apologia de crime ou criminoso e infrações previstas na legislação de combate ao racismo.
ICL



