Por Paulo de Tarso – Jornalista/Editor
Rondônia tem dinheiro, tem discurso, tem promessa — só parece faltar o básico: fazer a saúde funcionar antes que o paciente vire caso de emergência.
O cidadão procura atendimento quando ainda está doente e, em muitos casos, precisa esperar ficar quase morrendo para o sistema finalmente entender que ele precisa de socorro. É o famoso “volte quando piorar”. Só falta entregarem senha para a desgraça.
E o mais curioso é que dinheiro para a saúde não parece faltar. O que falta é transformar recurso em atendimento, prevenção, cirurgia, estrutura e respeito por quem paga imposto.
A lógica deveria ser simples: descobriu o problema no começo, trata logo e gasta menos. Mas por aqui, muitas vezes parece funcionar ao contrário. Espera a doença avançar, espera o paciente piorar, espera a fila crescer e, depois, corre para gastar muito mais.
A fila por cirurgia é um capítulo à parte. Uma simples hérnia pode se transformar em uma longa espera para quem não estiver em estado grave. O sujeito sente dor, perde qualidade de vida, limita o trabalho e a rotina, mas continua esperando. Parece que, para o sistema público acelerar, não basta estar doente. É preciso quase provar que está morrendo.
E enquanto o paciente espera, os discursos continuam passando bem, obrigado.
Agora vem uma cobrança que precisa ser feita sem rodeio: os próximos deputados estaduais terão de rever a prioridade das emendas parlamentares.
Não é acabar com festa, cultura ou evento. Rondônia também precisa de lazer. Mas vamos combinar: quando a saúde está pedindo socorro, talvez seja hora de diminuir um pouco a verba para palco, fogos, bandas e promoção de festas e aumentar o dinheiro para cirurgia, hospital, equipamento, exames e atendimento.
Porque o cidadão pode até gostar de festa. Mas quando a barriga dói, a hérnia aumenta, o exame demora e a cirurgia não sai, ninguém vai para o hospital carregando um trio elétrico.
Festa termina. A doença fica.
O próximo governo terá pela frente um problema que não poderá ser empurrado para debaixo do tapete. Será preciso enfrentar a realidade de frente, começando pela construção de um novo Hospital João Paulo II e pela reestruturação do Hospital de Base, com estrutura moderna, equipamentos adequados, profissionais suficientes e capacidade para atender a demanda de Rondônia.
Mas também será necessário mudar a cabeça do sistema. Saúde não pode ser administrada apenas quando a emergência chega. Prevenção não dá tanto palanque quanto inauguração, mas salva vidas e custa menos.
É preciso descobrir a doença antes que ela vire cirurgia. Fazer o exame antes que vire internação. Tratar antes que vire emergência. Atender antes que o paciente precise implorar.
E aqui fica o recado para quem pretende governar Rondônia e para quem pretende ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa: o eleitor vai precisar cobrar mais do que discurso, foto de campanha e emenda para evento.
Vai precisar perguntar quanto foi colocado na saúde, onde foi colocado e, principalmente, qual problema foi resolvido.
Porque dinheiro público não é prêmio para quem tem mais festa no calendário. É recurso para melhorar a vida de quem paga a conta.
Rondônia não precisa apenas de hospitais novos. Precisa de uma nova forma de cuidar da saúde.
E, se depender do tamanho da fila, parece que o paciente já cansou de esperar. Agora é a vez da política correr.



