Por Paulo de Tarso Cabral – Jornalista/Editor
Tem candidato que já foi parlamentar, tem candidato que ainda ocupa mandato e tem aquele que apareceu agora, cheio de disposição para pedir voto. O problema é que, para uma parcela considerável do eleitorado, todos eles parecem estar disputando a mesma vaga: a de “quem é mesmo?”
Os números de uma recente pesquisa encomendada pela Rede Amazônica ao instituto Quaest para o Senado em Rondônia acendem uma luz amarela — e, em alguns casos, quase um giroflex eleitoral. O dado que mais chama atenção não está necessariamente em quem aparece na frente, mas no tamanho do contingente de eleitores que não conhece determinados candidatos, conhece, mas não votaria, ou simplesmente ainda não sabe quem são.
E aí mora um problema sério.
Quando nomes que já passaram pela política institucional continuam enfrentando índices elevados de desconhecimento ou rejeição, alguma coisa não está funcionando na comunicação política. Para os estreantes, a situação é ainda mais delicada: não adianta colocar o nome no santinho, sorrir para a câmera e esperar que o eleitor descubra sozinho quem está pedindo seu voto.
Em alguns casos, o desconhecimento chega a patamares próximos de 90%, segundo os números apresentados na pesquisa. É um daqueles resultados capazes de fazer candidato conferir duas vezes se realmente colocou o próprio nome na urna — ou se esqueceu de avisar ao eleitor que está concorrendo.
FAMOSO SÓ NA PRÓPRIA BOLHA
A pesquisa deixa uma lição incômoda para quem está na disputa: ser conhecido no meio político não significa ser conhecido pelo eleitor.
É possível ter mandato, currículo, partido, assessoria, redes sociais movimentadas e uma coleção de fotografias ao lado de autoridades e, ainda assim, chegar ao eleitor comum como um completo desconhecido.
A política tem dessas ironias.
Nos bastidores, todo mundo parece importante. Na rua, porém, a conversa é outra. O eleitor quer saber quem é o candidato, o que ele fez, o que pretende fazer e, principalmente, por que deveria entregar a ele um dos votos mais disputados da eleição.
REJEIÇÃO TAMBÉM FALA
Outro número que merece atenção é a rejeição. Candidato que já é conhecido, mas carrega uma rejeição elevada, também precisa ficar em alerta.
Não basta aparecer. É preciso convencer.
Uma candidatura pode ter estrutura, tempo de televisão, grupo político e máquina eleitoral, mas, se o eleitor conhece o candidato e mesmo assim diz que não votaria nele, existe um problema de imagem que não se resolve apenas com santinho colorido e carreata.
E há uma diferença importante: desconhecimento pode ser combatido com apresentação; rejeição exige explicação, mudança de percepção e, muitas vezes, reconstrução de imagem.
TERMÔMETRO, NÃO URNA
É claro que pesquisa não elege ninguém.
Pesquisa é fotografia de um momento. A eleição, como todo rondoniense sabe, é outra história. Até outubro, muita coisa pode mudar: alianças, debates, propaganda, ataques, respostas, fatos novos e, principalmente, o contato direto com o eleitor.
Mas ignorar uma pesquisa porque ela não representa o resultado final seria o mesmo que jogar fora o termômetro porque ele não cura a febre.
Para os candidatos ao Senado, os números deveriam servir menos para comemoração e mais para reflexão.
Quem está bem posicionado precisa manter o ritmo. Quem tem rejeição elevada precisa entender por quê. E quem aparece com índices altíssimos de desconhecimento terá de correr — e correr bastante — para deixar de ser candidato conhecido apenas pelos próprios cabos eleitorais.
E, pelo retrato da pesquisa, tem candidato que ainda precisa fazer o básico: dar bom-dia, dizer o nome e explicar por que entrou na disputa.
Porque, até agora, para uma parte do eleitorado, a corrida ao Senado parece menos uma eleição e mais um jogo de “quem é esse?”.



