Ex-prefeitos, caciques regionais e velhos conhecidos da política entram no jogo e avisam: cadeira em Brasília não tem dono
Por Paulo de Tarso – Jornalista
Se alguém em Brasília ainda acreditava que a eleição de outubro em Rondônia seria morna, protocolar ou resolvida no “piloto automático”, é melhor providenciar o termômetro — e talvez um calmante. O ano eleitoral mal começou e os bastidores já fervem como panela esquecida no fogo alto. O clima é de alerta geral: ninguém está plenamente confortável no cargo.
O motivo da inquietação atende por nomes conhecidos, tarimba política e, principalmente, voto. Não estamos falando de aventuras eleitorais ou apostas exóticas, mas de figuras testadas, com currículo, recall e base consolidada. Em outras palavras: gente que não entra na disputa para fazer figuração nem para sair com foto bonita no santinho.
Dois ex-prefeitos simbolizam bem esse novo tempero indigesto para quem já tem mandato. Hildon Chaves, que governou Porto Velho, e Jesualdo Pires, ex-prefeito de Ji-Paraná, surgem “bem na fita” e com discurso competitivo. São daqueles nomes que, só de aparecerem numa pesquisa, já provocam reuniões emergenciais, cálculos apressados e muito cafezinho madrugada adentro.
Do interior, o cardápio segue pesado. Expedito Júnior, velho conhecido do jogo, volta ao radar com disposição e apoio de peso: Adailton Fúria, prefeito de Cacoal e aspirante a protagonista da sucessão estadual. Fúria, aliás, joga em mais de uma frente. Além de fortalecer aliados, trabalha para manter em evidência o nome da esposa, Joliane Fúria, que em 2022 bateu na trave e segue politicamente “no ponto”, pronta para nova tentativa.
Rolim de Moura continua sendo uma espécie de fábrica de tensão política. O atual prefeito, Aldair Júlio, até insiste no discurso de que seu foco é terminar o mandato, mas o simples fato de seu nome circular já faz o mercado político se mexer. Soma-se a isso o retorno constante ao debate da ex-deputada federal Jaqueline Cassol, que nunca saiu completamente de cena e ainda conserva influência em várias regiões do estado.
Na capital, Porto Velho, o tabuleiro também se rearranja. Com o selo de aprovação do prefeito Léo Moraes, o secretário municipal de Saúde e ex-vereador Jaime Gazola entra na conversa como candidatura em construção. Visibilidade administrativa, apoio político e exposição constante formam um combo que costuma crescer rápido em ano eleitoral — especialmente quando a máquina começa a aquecer.
Já no Cone Sul, o sinal de alerta atende por um sobrenome conhecido: Donadon. Natan Donadon, ex-deputado, tem usado as redes sociais para medir temperatura e reacender a base. Gostem ou não, o nome ainda provoca reações. A família mantém presença institucional por meio de Rosângela Donadon, mas a movimentação indica que o clã não pretende assistir ao jogo da arquibancada.
Tudo isso ainda é só o ensaio geral. A partir de abril, quando prazos legais apertam e partidos são obrigados a mostrar as cartas, o cenário tende a ficar ainda mais embolado. Alianças improváveis, rompimentos silenciosos e disputas internas prometem transformar os bastidores em um verdadeiro campo minado.
Para quem já tem mandato, o recado é claro e pouco delicado: a eleição não será passeio. Alguns parlamentares, com entregas visíveis e presença real junto ao eleitor, podem atravessar a tempestade com menos arranhões. Outros, porém, enfrentam um cenário hostil, com concorrência pesada, eleitor mais crítico e zero margem para erro.
Em resumo: Rondônia já entrou oficialmente em clima de campanha. E, pelo visto, tem muita gente revisando discurso, refazendo contas e percebendo que, desta vez, a cadeira pode escorregar.



