Por Paulo de Tarso
Em entrevista à TV, governador de Rondônia diz que relação política foi rompida e evita antecipar cenário eleitoral de 2026
O governador de Rondônia, Marcos Rocha (União Brasil), declarou que não pretende repassar a administração estadual, prevista para abril, a alguém em quem não confia, em referência ao vice-governador Sérgio Gonçalves (União Brasil). A afirmação foi feita durante entrevista concedida ao apresentador Everton Leoni, da SIC TV (Record), e repercutiu no meio político estadual.
Ao comentar o tema, Marcos Rocha disse que se sente desconfortável em transferir o comando do Executivo a uma pessoa que, segundo sua avaliação pessoal, teria quebrado a confiança política. Sem citar o nome do vice em todos os momentos, o governador afirmou que decisões dessa natureza precisam levar em conta não apenas a gestão, mas também a responsabilidade com a população. Em um dos trechos da entrevista, destacou que, na sua visão, a falta de lealdade em relações políticas representa risco à condução do Estado.
O governador relatou ainda que a decisão foi discutida no âmbito familiar e político. Segundo ele, tanto a primeira-dama, Luana Rocha — que é pré-candidata a deputada federal — quanto o irmão Sandro Rocha manifestaram apoio à escolha que viesse a ser tomada. Marcos Rocha reconheceu que o posicionamento gerou tristeza e desconforto entre aliados e integrantes da equipe, mas afirmou tratar-se de uma definição difícil, porém necessária dentro do contexto atual.
Durante a entrevista, o governador também comentou sobre o cenário eleitoral de 2026. Ele não confirmou, neste momento, uma candidatura ao Senado e disse que ainda não tomou uma decisão definitiva sobre o tema. Ao abordar a possibilidade de rever seus planos, afirmou que atribui esse tipo de escolha à sua fé, destacando que, por ora, não se sente à vontade para seguir um caminho que implique a transferência do cargo ao vice-governador.
Marcos Rocha acrescentou que tem procurado tratar do assunto de forma transparente, mesmo sabendo que suas declarações podem gerar repercussões políticas. De acordo com o governador, houve tentativas de diálogo, mas a relação política estaria encerrada, o que inviabilizaria uma convivência institucional baseada em confiança.
As falas do governador ocorrem em um momento de intensas movimentações no cenário político de Rondônia, com pré-candidaturas sendo anunciadas e articulações em andamento para o próximo pleito. A posição adotada por Marcos Rocha evidencia o distanciamento público em relação ao vice-governador e influencia diretamente as discussões sobre a sucessão estadual e o papel do atual chefe do Executivo nas eleições de 2026.



