Exposição midiática cresce, entregas reais encolhem e o eleitor observa o contraste entre discurso e prática
Na Assembleia Legislativa de Rondônia, há deputados que parecem ter adotado um novo conceito de representação popular: governar para a câmera. O mandato, que deveria ser instrumento de transformação social, virou vitrine. A política, que exige enfrentamento de problemas reais, foi reduzida a gestos simbólicos, discursos reciclados e ações de baixíssimo impacto — tudo muito bem enquadrado, iluminado e publicado.
Projetos estruturantes, debates profundos e propostas de longo prazo ficaram fora do enquadramento. Em seu lugar, surgem indicações inofensivas, visitas protocolares tratadas como grandes conquistas e uma produção incessante de conteúdo que tenta convencer o eleitor de que algo relevante está sendo feito. Nem sempre está.
O roteiro é quase sempre o mesmo: promessa grandiosa na campanha, silêncio no mandato e, na reta final, uma enxurrada de “resultados” que mal resistem a uma leitura mais atenta. Obras que não saíram do papel viram discurso, problemas crônicos recebem soluções paliativas e cobranças viram ataques “injustos”.
A reeleição, claro, é o pano de fundo. O trabalho real, mais demorado e menos fotogênico, perde espaço para a política de vitrine. Afinal, fiscalizar, legislar e enfrentar interesses exige coragem — e isso raramente rende likes.
Nesse contexto, a charge em preto e branco ajuda a traduzir o que o discurso tenta esconder: o contraste entre aparência e realidade. Um deputado sorridente, cercado de papéis vazios, discursos inflados e promessas carimbadas, enquanto o eleitor observa, desconfiado, tentando separar o teatro da ação concreta.
No fim, resta uma pergunta incômoda para 2026: o eleitor vai premiar quem trabalha no silêncio dos bastidores ou quem atua melhor sob os holofotes? Porque mandato não é performance — e governo não se faz apenas com pose.



