Por Paulo de Tarso – Jornalista
A Justiça Federal liberou a volta da cobrança do pedágio na BR-364. Simples assim. A cancela volta a subir, o motorista volta a pagar e a vida segue na principal artéria econômica de Rondônia.
O curioso não é a decisão. O curioso é o sumiço.
Quando a cobrança foi suspensa, houve quase um campeonato de paternidade política. Parlamentares da bancada federal surgiram em efeito cascata: vídeos nas redes, discursos inflamados, documentos erguidos como troféus. Cada um reivindicando para si a façanha. A suspensão tinha tantos “pais” que faltava maternidade para registrar.
Agora, com a autorização para o retorno da tarifa, o silêncio é ensurdecedor. Nenhuma coletiva explicando o novo cenário. Nenhuma postagem com a mesma empolgação. Nenhum peito estufado para assumir o capítulo seguinte da novela.
Cadê os pais da criança?
Na política rondoniense, vitória tem CPF e foto oficial. Desgaste é filho sem registro. A narrativa da suspensão rendeu aplauso. A volta da cobrança rende cobrança — e essa parece não interessar a ninguém assumir.
Enquanto isso, o cidadão faz o que sempre fez: trabalha, depende da BR-364, enfrenta o fluxo pesado e agora recalcula o orçamento com o pedágio de volta. A estrada continua a mesma. O asfalto não ficou mais liso por causa de discurso. A cancela não abre com postagem.
Fica a pergunta que atravessa a rodovia de ponta a ponta: se havia tantos pais para a suspensão, quem é o pai do retorno? Ou será que, como acontece tantas vezes, a conta tem dono certo — e não usa terno em Brasília?
A BR-364 segue. A memória também deveria.



