Redação O Bandeirante News
Fundada entre trilhos, rios e sonhos, a capital de Rondônia chega a 111 anos em 2026 celebrando sua diversidade, a força do seu povo e os desafios de uma cidade em constante transformação.
Em 2026, Porto Velho completa 111 anos como uma cidade forjada pela urgência econômica, marcada pela migração e moldada pela resistência humana. Mais do que capital de Rondônia, é um símbolo vivo da ocupação amazônica brasileira, construída às margens do Rio Madeira e sustentada pela coragem de quem decidiu fincar raízes em meio à floresta.
Das origens ao nascimento da cidade
Antes da fundação oficial, a região onde hoje está Porto Velho já era ocupada por povos indígenas, que utilizavam o Rio Madeira como principal eixo de vida, deslocamento e cultura. O cenário começa a mudar no início do século XX, com a chegada de um dos maiores projetos de engenharia de sua época.
A construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, iniciada em 1907, atraiu milhares de trabalhadores brasileiros e estrangeiros. Foi desse encontro de línguas, costumes e sonhos que surgiu o núcleo urbano que viria a se tornar Porto Velho, oficialmente fundada em 24 de janeiro de 1914.
O povo que construiu Porto Velho
Porto Velho nasceu plural. Seringueiros, operários, indígenas, nordestinos, ribeirinhos e imigrantes estrangeiros construíram uma cidade marcada pela miscigenação cultural e humana. Esse legado permanece vivo no sotaque, na hospitalidade e na identidade de seu povo.
A cidade cresceu acolhendo quem chegava e resistindo às adversidades impostas pelo isolamento geográfico e pelas transformações econômicas.
Cultura e sabores da Amazônia
A cultura porto-velhense reflete sua diversidade. Festas populares, manifestações religiosas, boi-bumbá, carnaval de rua e música regional expressam um sentimento de pertencimento profundamente amazônico. A arte local cumpre o papel de preservar a memória e projetar a identidade da cidade para o futuro.
Na gastronomia, Porto Velho revela sua história em sabores: tambaqui, pirarucu, caldeiradas, farinha de mandioca, banana e pratos herdados das tradições nordestinas e indígenas compõem uma culinária simples, forte e afetiva.
Economia e papel político
Ao longo de sua história, Porto Velho atravessou diferentes ciclos econômicos, da borracha à madeira, do garimpo à construção civil, chegando às grandes obras de infraestrutura e ao crescimento do setor de serviços. Como capital, concentra funções administrativas e políticas que impactam diretamente todo o estado de Rondônia.
O desenvolvimento trouxe oportunidades, mas também desafios estruturais, como mobilidade urbana, saneamento, planejamento urbano e qualidade de vida, que seguem no centro do debate público.
Porto Velho de ontem e Porto Velho de hoje
A Porto Velho do passado era composta por ruas de terra, casas de madeira e trilhos que cortavam a cidade. A Porto Velho atual é uma capital em expansão, com novos bairros, verticalização, tecnologia e integração regional, convivendo com contrastes sociais e urbanos.
Mesmo em meio às transformações, a cidade preserva sua essência ribeirinha e amazônica.
Linha do Tempo
Antes de 1900 – A região é habitada por povos indígenas, tendo o Rio Madeira como principal eixo de vida e circulação.
1907 – Início da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, marco decisivo para o surgimento da cidade.
1914 – Fundação oficial de Porto Velho, em 24 de janeiro.
Décadas de 1910 e 1920 – Consolidação urbana ao redor da ferrovia, com forte diversidade cultural.
1943 – Criação do Território Federal do Guaporé; Porto Velho se torna capital.
1956 – O território passa a se chamar Rondônia, em homenagem ao Marechal Cândido Rondon.
Décadas de 1960 e 1970 – Migração em massa impulsiona o crescimento urbano.
1981 – Rondônia é elevada à condição de estado; Porto Velho consolida seu papel de capital.
2008 a 2016 – Construção das hidrelétricas do Rio Madeira provoca impacto econômico e urbano.
2020 – Pandemia da Covid-19 marca um dos períodos mais desafiadores da história recente da cidade.
2026 – Porto Velho completa 111 anos, reafirmando sua importância estratégica na Amazônia.
Em 2026, Porto Velho celebra 111 anos de uma história escrita por muitas mãos. Entre o passado dos trilhos e o futuro que se constrói, a capital rondoniense segue viva, plural e resiliente, mantendo firme sua identidade amazônica enquanto projeta novos caminhos para as próximas gerações.


