O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu elevar o imposto de importação sobre celulares e mais de mil produtos de tecnologia, numa medida que tende a encarecer equipamentos para consumidores e empresas. As alíquotas subiram em até 7,2 pontos percentuais, segundo anúncio do Ministério da Fazenda.
A decisão foi formalizada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e atinge diretamente máquinas, equipamentos, itens de informática e telecomunicações — incluindo smartphones.
Na prática, a medida aumenta o custo de produtos importados sob a justificativa de proteger a indústria nacional. O governo afirma que o avanço das importações representa risco à cadeia produtiva brasileira e fala em possibilidade de “colapso” industrial caso o movimento continue.
Dados oficiais apontam que as importações desses itens cresceram 33,4% desde 2022, elevando a participação de produtos estrangeiros para mais de 45% do consumo interno. Para a equipe econômica, esse nível de dependência externa compromete a competitividade e pode gerar perda de capacidade tecnológica.
O aumento tarifário foi descrito pelo governo como intervenção “moderada e focalizada”, com o objetivo de reduzir a concorrência considerada desigual, reequilibrar preços e diminuir a vulnerabilidade externa do país. A justificativa menciona ainda alinhamento com políticas de proteção adotadas por outros países.
Os Estados Unidos lideram o fornecimento desses produtos ao Brasil, com 34,7% de participação e US$ 10,18 bilhões em vendas, seguidos pela China, com 21,1% e US$ 6,18 bilhões. Singapura e França aparecem na sequência.
Apesar do aumento de impostos, o governo abriu exceção temporária: empresas poderão pedir redução da alíquota para zero até 31 de março, com autorizações válidas por até 120 dias. O mecanismo busca evitar impacto imediato sobre projetos produtivos, mas mantém a elevação como regra geral.
A equipe econômica minimiza efeitos inflacionários e afirma que o impacto será diluído, já que parte dos itens funciona como insumo industrial e conta com regimes especiais. Ainda assim, especialistas do mercado apontam que a tendência é de repasse de custos ao consumidor e aumento de preços em segmentos tecnológicos.
O governo sustenta que a medida pode estimular a produção local, reduzir a dependência de importações e melhorar as contas externas. Críticos, porém, avaliam que a decisão reforça uma estratégia de encarecimento via tributação, com risco de perda de competitividade, menor acesso a tecnologia e pressão sobre investimentos.
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