POR PAULO DE TARSO – JORNALÍSTA
Levantamentos com resultados divergentes já dominam o cenário das eleições de 2026 no estado. Entre números, estratégias e disputas políticas, a decisão mais importante continua sendo a do eleitor diante da urna.
A corrida eleitoral de 2026 em Rondônia ainda está em seus primeiros capítulos, mas um velho protagonista já voltou ao centro do debate: as pesquisas eleitorais. Nas últimas semanas, uma sucessão de levantamentos passou a circular pelo estado, cada um apresentando um cenário diferente para a disputa ao Governo.
Em uma pesquisa, o senador Marcos Rogério aparece na liderança. Em outra, o ex-prefeito de Cacoal, Adaílton Fúria, surge à frente. Pouco depois, um novo levantamento coloca o ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, em posição de destaque. Diante de números tão distintos, a pergunta que muitos eleitores fazem é inevitável: afinal, qual pesquisa mostra a realidade?
A resposta exige cautela.
Nenhuma pesquisa eleitoral é capaz de prever o resultado das urnas. Ela representa apenas um retrato do momento em que foi realizada, considerando uma metodologia específica, um universo determinado de entrevistados e um período de coleta de dados. Em uma campanha eleitoral, o cenário muda rapidamente. Debates, alianças, denúncias, decisões judiciais, programas de governo e até acontecimentos inesperados podem alterar completamente a preferência do eleitorado.
O problema começa quando pesquisas passam a ser tratadas como se fossem sentença definitiva ou quando são utilizadas para criar a impressão de que determinada candidatura já está consolidada. Esse tipo de comportamento pode influenciar parte do eleitorado, especialmente aqueles que ainda não decidiram em quem votar.
Em Rondônia, o histórico recomenda prudência.
O estado já viveu eleições marcadas pela divulgação de levantamentos que despertaram questionamentos e controvérsias. Ao longo dos anos, apareceram institutos pouco conhecidos e, em alguns casos, praticamente desconhecidos da população, divulgando pesquisas que alimentaram debates sobre metodologia, transparência e credibilidade. Algumas dessas empresas surgiram apenas durante o período eleitoral e desapareceram logo depois do encerramento da disputa.
Isso não significa que toda pesquisa seja suspeita ou desprovida de rigor técnico. Muito pelo contrário.
O Brasil possui institutos reconhecidos nacionalmente, com histórico de atuação, equipes técnicas qualificadas, metodologias transparentes e responsabilidade estatística. Esses levantamentos cumprem um papel importante para compreender tendências do eleitorado e ajudam a enriquecer o debate democrático.
O problema está justamente na dificuldade que o cidadão comum encontra para diferenciar um trabalho técnico de uma pesquisa utilizada apenas como instrumento de marketing político.
Por isso, antes de acreditar ou compartilhar qualquer levantamento, o eleitor deve fazer algumas verificações simples, mas fundamentais.
A primeira delas é confirmar se a pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral, conforme determina a legislação. Também é importante observar quem contratou o levantamento, qual instituto realizou o trabalho, quantas pessoas foram entrevistadas, quais municípios participaram da amostra, qual foi o período das entrevistas e qual é a margem de erro apresentada.
Essas informações permitem avaliar se o estudo possui transparência suficiente para ser levado em consideração.
Outro aspecto que merece atenção é o uso político das pesquisas. Em campanhas eleitorais, não é raro que determinados números sejam utilizados para tentar construir uma narrativa de crescimento, estimular o chamado “voto útil” ou criar a percepção de que uma candidatura já seria inevitável. A estratégia faz parte do jogo político, mas não pode substituir a análise crítica do eleitor.
O voto consciente nasce da comparação entre propostas, da avaliação da trajetória dos candidatos, da experiência administrativa, da capacidade de liderança, do compromisso com a ética e da viabilidade dos planos de governo.
Nenhuma pesquisa responde perguntas fundamentais para a população.
Quem tem o melhor projeto para gerar empregos?
Quem apresenta propostas concretas para melhorar a saúde pública?
Quem tem condições de enfrentar os desafios da segurança?
Quem possui um plano consistente para fortalecer a educação, a infraestrutura e o desenvolvimento econômico de Rondônia?
Essas respostas não aparecem em gráficos nem em percentuais.
Elas estão na capacidade do eleitor de analisar, comparar e decidir com independência.
Outro ponto que merece reflexão é a velocidade com que informações circulam pelas redes sociais. Muitas pesquisas são compartilhadas milhares de vezes sem qualquer verificação sobre sua origem. Em alguns casos, imagens são editadas, números são retirados de contexto ou levantamentos antigos reaparecem como se fossem atuais.
Por isso, informação de qualidade exige responsabilidade de quem divulga e senso crítico de quem recebe.
A democracia se fortalece quando o eleitor busca informação em fontes confiáveis, verifica a legalidade das pesquisas, questiona os dados apresentados e, principalmente, evita transformar números de um determinado momento em verdade absoluta.
Até a eleição de 2026, Rondônia ainda verá dezenas de novas pesquisas. Algumas apontarão tendências semelhantes; outras apresentarão resultados completamente diferentes. Isso faz parte da dinâmica de uma campanha.
O que não pode mudar é a responsabilidade do eleitor.
Pesquisa informa, mas não governa.
Pesquisa influencia, mas não substitui o voto.
Pesquisa pode ajudar a compreender o cenário político, mas jamais deve decidir a escolha de quem governará Rondônia pelos próximos quatro anos.
No fim da campanha, haverá apenas um levantamento capaz de encerrar todas as dúvidas: a apuração oficial das urnas. Essa é a única pesquisa sem margem de erro, realizada por milhões de eleitores, de forma livre, democrática e soberana.
Até lá, o melhor caminho continua sendo o mesmo: menos paixão pelos números e mais atenção às ideias, às propostas e ao futuro que cada candidato oferece ao estado.


