Ato no estádio Primeiro de Maio reuniu Alckmin, Haddad, Tebet e Marina Silva, entre outros aliados
O lançamento oficial da campanha de reeleição de Lula aconteceu neste domingo (16/08) no ABC paulista, mais precisamente no estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo. Em discurso de aproximadamente 30 minutos, o presidente manifestou o desejo de conquistar um quarto mandato como forma de barrar o retorno da direita ao governo federal.
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O local foi escolhido com carga simbólica deliberada. Foi em São Bernardo do Campo que Lula se entregou à Polícia Federal em 2018, após condenação na Operação Lava Jato. O slogan da campanha é ‘O Brasil pronto para mais’, com o lema ‘Onde tudo começou’.
Durante o discurso, Lula reafirmou a promessa feita em 2022 de criar um ministério da Segurança Pública, mas condicionou o compromisso à aprovação de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) pelo Congresso. O presidente mencionou conversa recente com Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, como parte das articulações em torno do tema.
Em seu discurso, Lula voltou atenção especial a mulheres e jovens, grupos identificados como prioritários pela campanha. A primeira-dama Janja da Silva destacou a relevância da participação feminina: “Essas mulheres foram de uma força importante e, sem a presença delas, essa história poderia ser diferente.”
A chapa e os aliados no palanque
Geraldo Alckmin (PSB) está confirmado como vice na chapa de Lula para 2026, enquanto Fernando Haddad (PT) concorre ao governo de São Paulo. Para o Senado, a aliança lança Simone Tebet (PSB-SP), Marina Silva (Rede-SP), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Paulo Pimenta (PT-RS).
Tebet direcionou ataques à campanha de Flávio Bolsonaro (PL), apontado pelas pesquisas como o principal rival de Lula na corrida presidencial: “Enquanto eles falam de pátria, quem defende as cores da bandeira somos nós. Eles desfilam na Paulista com bandeias dos EUA”. Já Marina Silva convocou as mulheres a se engajarem em favor do presidente.
A primeira-dama Janja da Silva prestou tributo à memória de Marisa Letícia, falecida ex-companheira de Lula, e entoou um jingle ao lado do cantor evangélico Kleber Lucas.
Memória e contexto do ABC
O ato foi preparado com participação ativa do próprio Lula. Um vídeo de campanha exibido no evento misturava imagens do presidente hoje com cenas da greve de 1979 na Vila Euclides, marco histórico do movimento sindical que impulsionou a fundação do PT. No vídeo, o Lula de hoje “conversou com o Lula do passado”: “Aguenta companheiro, que a democracia vai vencer”, dizia uma voz, enquanto outra respondia: “Aqui, em 2026, a gente reconstruiu o Brasil e quer mais”.
O ABC paulista, região que serviu de berço ao PT, atravessa um período de enfraquecimento da influência petista. Na última eleição municipal, o representante do partido que disputou a Prefeitura de São Bernardo do Campo ficou na terceira colocação. Na região, a única vitória do partido ocorreu em Mauá.
Lula também mencionou, em seu discurso, que o ministro do STF Dias Toffoli não autorizou sua saída da prisão em Curitiba para o enterro do neto em 2019, quando cumpria pena. A menção foi feita sem nomear diretamente Toffoli, mas a referência foi identificada pela cobertura jornalística.
Ao encerrar, o presidente convocou os presentes: “Agora não vamos dar nenhum passo para trás. A partir de agora estamos em campanha.”
TMC



