O BN
Candidatos do PSB afirmam ter sido pressionados durante reunião virtual e dizem que vão recorrer às autoridades para defender suas candidaturas
Uma videoconferência realizada na sexta-feira (14) terminou em denúncia de pressão política dentro do PSB de Rondônia. O candidato ao Governo do Estado, Samuel Costa, e a candidata ao Senado, Neidinha Suruí, afirmam que sofreram uma tentativa de constrangimento para deixar a disputa eleitoral e apoiar uma articulação política envolvendo outros grupos.
Segundo os dois candidatos, a reunião contou com a participação de três candidatos a deputado federal pelo PSB e de uma pessoa apresentada como representante da direção nacional da legenda. Durante a conversa, teria sido colocada sobre a mesa a possibilidade de intervenção no diretório estadual caso Samuel e Neidinha não desistissem de suas candidaturas.
As duas candidaturas foram aprovadas em convenção partidária, dentro da decisão do PSB de Rondônia de apresentar uma chapa própria para as eleições. Por isso, os candidatos sustentam que qualquer mudança no projeto eleitoral precisa seguir os procedimentos previstos nas normas partidárias e na legislação.
O episódio ganhou um tom ainda mais delicado porque envolve uma candidata ao Senado que afirma ter se sentido alvo de uma forma de violência política. Neidinha Suruí disse que não pretende abrir mão da candidatura por pressão.
“Eu sempre defendi as mulheres na política. Nunca me curvei diante de atitudes autoritárias, abusivas ou daqueles que tentam nos intimidar. Não será agora que vou me curvar”, afirmou.
A candidata também disse que pretende procurar as autoridades para registrar a denúncia e buscar proteção jurídica caso entenda que houve prática de violência política contra ela.
A legislação eleitoral brasileira prevê punição para condutas direcionadas especificamente a mulheres candidatas quando houver assédio, constrangimento, humilhação, perseguição ou ameaça motivada pela condição feminina com o objetivo de dificultar ou impedir a campanha ou o exercício do mandato.
O artigo 326-B do Código Eleitoral estabelece pena de reclusão de um a quatro anos, além de multa, para situações que se enquadrem nos requisitos previstos na legislação. A existência de crime, porém, depende da análise das circunstâncias concretas e da comprovação dos elementos exigidos pela norma.
Samuel reage e fala em resistência
Samuel Costa também reagiu à situação. Para o candidato, uma candidatura aprovada pelas instâncias partidárias não deveria ser retirada por meio de pressão ou articulação que desconsidere as decisões tomadas dentro da própria legenda.
“Vivemos numa democracia e, na era da informação, não podemos tolerar atitudes arbitrárias e ilegais. A ditadura acabou. É necessário fazer política com o coração, não com o fígado”, declarou.
O candidato ainda questionou o momento em que a suposta articulação teria ocorrido. Segundo Samuel, o movimento teria acontecido depois de sua candidatura apresentar crescimento em pesquisas de intenção de voto.
Ele afirmou que não pretende abandonar a disputa e disse confiar na decisão dos eleitores de Rondônia.
“Causa estranheza essa tentativa justamente depois de avançarmos nas últimas pesquisas de opinião e termos uma rejeição infinitamente menor do que a do candidato do PT. No tapetão, não vão conseguir. Vamos lutar pela democracia e confiar no julgamento da autoridade máxima, que é o eleitor rondoniense”, afirmou.
PSB estadual pode entrar no centro da disputa
O caso também coloca o comando estadual do PSB no centro das atenções. O presidente da legenda em Rondônia, Vinícius Miguel, advogado e professor da Universidade Federal de Rondônia, deverá se posicionar caso alguma medida seja oficialmente apresentada pela direção nacional.
A partir daí, a discussão poderá deixar o campo político e chegar ao jurídico, especialmente se houver contestação sobre as decisões tomadas nas convenções partidárias ou sobre a possibilidade de alteração das candidaturas já aprovadas.
Neidinha Suruí afirma que pretende formalizar a denúncia e utilizar os mecanismos legais disponíveis para defender sua permanência na disputa.
“Não vou aceitar que a política seja usada para nos calar. Se houver violência política, vamos denunciar e buscar todos os instrumentos legais para defender nosso direito de participar e representar o povo de Rondônia”, declarou.
Por enquanto, o episódio permanece no campo das acusações apresentadas pelos candidatos. A confirmação de eventual irregularidade dependerá da apuração pelas instâncias partidárias e, caso haja representação formal, pelos órgãos competentes.



