Cuidados no pós-colheita reduzem risco de phoma
A mancha-de-phoma, doença causada principalmente pelo fungo Phoma costarricensis, tem exigido atenção dos cafeicultores durante o período de colheita e pós-colheita. Entre março e junho, a combinação de chuvas, neblina, temperaturas amenas e plantas sob estresse cria condições favoráveis para o avanço da doença, que pode comprometer a produtividade da safra seguinte caso não seja identificada precocemente.
Segundo as orientações técnicas, o maior risco ocorre em regiões de altitude, áreas sujeitas a frio e lavouras com histórico da doença. Nesse período, além da elevada carga de frutos, os cafeeiros enfrentam redução das reservas nutricionais, ferimentos provocados pela colheita e oscilações de temperatura, fatores que aumentam a vulnerabilidade das plantas.
Os primeiros sintomas costumam surgir nas folhas jovens, principalmente na parte superior da copa. Pequenas manchas de coloração parda, que podem evoluir para lesões maiores e provocar deformações, são um dos principais sinais da doença. À medida que a infecção avança, também podem ocorrer secamento de ponteiros e ramos, reduzindo a formação de estruturas produtivas para o ciclo seguinte.
A recomendação é que os produtores diferenciem a mancha-de-phoma de outras doenças comuns do cafeeiro, como ferrugem e cercosporiose. Enquanto a ferrugem apresenta pústulas alaranjadas na face inferior das folhas, a mancha-de-phoma provoca lesões pardas, geralmente em folhas novas, acompanhadas de necrose em nervuras e secamento dos ramos.
Os impactos econômicos vão além da safra em andamento. A doença pode provocar desfolha, perda de ramos produtivos, redução do pegamento das flores e maior alternância entre anos de alta e baixa produção. Em situações mais severas, também aumenta os custos com podas corretivas, adubação e tratamentos fitossanitários.
O monitoramento frequente é apontado como uma das principais estratégias para reduzir prejuízos. A inspeção semanal ou quinzenal dos talhões, especialmente daqueles localizados em áreas mais frias e úmidas, permite identificar rapidamente manchas em folhas jovens e sinais de seca nos ponteiros. O acompanhamento das condições climáticas e o registro da evolução dos sintomas também auxiliam na tomada de decisão.
O manejo da doença deve combinar diferentes práticas. Entre as medidas preventivas estão a manutenção do equilíbrio nutricional das plantas, podas que favoreçam a ventilação da copa, remoção de ramos comprometidos e escolha de cultivares adaptadas às condições da região. Em áreas irrigadas, também é recomendado evitar períodos prolongados de molhamento da copa.
Quando a doença já está instalada, o manejo pode incluir a retirada seletiva de ramos mais afetados e, quando necessário, a utilização de fungicidas registrados para a cultura. As aplicações devem seguir rigorosamente as orientações de rótulo e bula, respeitando dosagens, intervalos de segurança e recomendações técnicas.
Os especialistas destacam que o controle da mancha-de-phoma deve fazer parte de um programa integrado de manejo fitossanitário do cafeeiro, associado ao controle de outras doenças, ao manejo nutricional e às práticas de conservação do solo. A adoção dessas medidas contribui para reduzir o ambiente favorável ao fungo e preservar o potencial produtivo das lavouras. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.



