Redação O Bandeirante News
O eleitor de Rondônia ligou a televisão, ajeitou a cadeira, talvez até preparou o cafezinho e esperou aquele momento que todo mundo promete durante a campanha: o debate capaz de mostrar quem tem uma ideia diferente para tirar o Estado do lugar.
Pois é. O café esfriou.
O debate realizado pela Band Grupo Rondovisão colocou frente a frente Adailton Fúria (PSD), Expedito Neto (PT), Hildon Chaves (União Brasil), Marcos Rogério (PL), Pedro Abib (MDB) e Samuel Costa (PSB), com condução do jornalista Marcelo Reis. E aqui é preciso separar as coisas: a condução do programa cumpriu seu papel. O problema não estava na organização, nem no mediador. O problema estava no que saiu dos candidatos.
E olha que o eleitor estava esperando novidade.
Mas, em vários momentos, a impressão foi de que alguém tinha distribuído uma apostila chamada “Como falar exatamente a mesma coisa em cinco blocos”.
Saúde precisa melhorar. Segurança precisa avançar. Educação precisa de atenção. Infraestrutura precisa de investimentos. Rondônia precisa crescer. O Estado precisa ser desenvolvido.
Tudo muito correto. Tudo muito bonito. Tudo muito conhecido.
Só faltou alguém explicar o que, de fato, seria feito de diferente.
As perguntas apresentadas por entidades como Aprosoja, Fiero, Sebrae, CRM, CDL e Fecomércio deram ao debate uma oportunidade rara: colocar os candidatos diante de problemas concretos de quem produz, empreende, trabalha, atende pacientes, gera emprego e paga imposto. Foram questões importantes e diretamente ligadas à vida real de Rondônia.
Mas nem sempre a resposta veio exatamente para a pergunta.
E aí o eleitor fica com aquela sensação de quem pergunta “quanto custa?” e recebe como resposta “vamos trabalhar pelo desenvolvimento”.
Tá certo. Mas quanto custa?
Esse é justamente o ponto que separa discurso eleitoral de proposta de governo.
Também houve momentos em que alguns candidatos pareceram mais preocupados em responder ao adversário do que em responder ao eleitor. As trocas de farpas entre Samuel Costa e Expedito Neto, assim como o confronto verbal envolvendo Marcos Rogério e Adailton Fúria, deram ao debate alguns dos poucos momentos realmente acalorados.
Só que provocação não enche estrada de asfalto, não coloca médico no hospital, não resolve fila, não melhora escola e não cria emprego.
Debate eleitoral não deveria virar campeonato de quem consegue dar a melhor cutucada no adversário.
O eleitor quer saber é quem pretende mexer no problema e, principalmente, como pretende fazer isso.
Em determinados momentos, também houve candidatos que demonstraram dificuldade diante da pressão das câmeras e do relógio. Teve fala truncada, resposta atropelada e aquela conhecida briga entre o pensamento e o cronômetro. Televisão não perdoa: quando a ideia não está muito bem arrumada na cabeça, a câmera percebe antes de todo mundo.
E percebe mesmo.
Mas há uma ironia maior nisso tudo.
Rondônia é um Estado cheio de problemas — e também cheio de oportunidades. Tem produção agrícola, pecuária, mineração, comércio, indústria, floresta, rios, energia, fronteira, cidades crescendo e uma população que já está cansada de ouvir que “agora vai”.
O eleitor não precisa de mais um discurso dizendo que Rondônia tem potencial.
Ele sabe.
O que ele quer saber é o que será feito com esse potencial.
Como destravar a infraestrutura? Como melhorar a saúde sem empurrar o problema para os municípios? Como qualificar mão de obra? Como ampliar a industrialização? Como enfrentar a criminalidade? Como melhorar as estradas? Como atrair investimentos? Como aumentar a produtividade sem transformar desenvolvimento em promessa de palanque?
Essas são as perguntas que deveriam tirar o sono de quem pretende governar o Estado.
No primeiro debate, porém, em vez de uma tempestade de ideias, o que apareceu foi uma garoa de propostas já conhecidas.
E o eleitor, que não é bobo, percebe.
Debate não é concurso de frases prontas. Também não é sessão de acerto de contas entre políticos. E muito menos deveria parecer reunião de condomínio em que todos concordam que o prédio precisa de reforma, mas ninguém apresenta o orçamento.
O próximo confronto precisa ser diferente.
Mais conteúdo. Menos repetição.
Mais números. Menos generalidades.
Mais soluções. Menos slogans.
Mais debate de ideias. Menos duelo de egos.
Porque, se todos dizem que sabem exatamente o que Rondônia precisa, chegou a hora de explicar, sem rodeio, quanto vai custar, de onde virá o dinheiro, qual será o prazo e quem vai executar.


