Por Paulo de Tarso – Jornalista/Editor
Há coisas que só a política consegue explicar. E Cacoal, ultimamente, parece disposta a dar uma aula prática.
Quando Tony Pablo assumiu a Prefeitura, herdando o cargo de Adailton Fúria, o discurso era duro. Vieram críticas, cortes, mudanças e uma narrativa de que muita coisa precisava ser colocada nos trilhos. Fúria, naquele momento, parecia ter deixado uma verdadeira batata quente nas mãos do sucessor.
Tony seguiu seu caminho, aproximou-se de outro nome na disputa pelo Governo de Rondônia, distribuiu elogios e chegou a sinalizar apoio. Tudo indicava que a parceria com Fúria havia ficado no retrovisor.
Só que a política tem dessas.
Agora, o mesmo Tony Pablo aparece abraçado com Fúria, elogiando o ex-prefeito e falando em caminhar politicamente juntos. E, para completar a cena, veio a frase: “Agora vamos brigar com os nossos adversários.”
Ora, pois! Então a prosa mudou.
Aquele que ontem era apresentado como parte de uma gestão cheia de problemas hoje reaparece como companheiro de batalha. O que parecia rompimento virou abraço. A crítica virou elogio. E a antiga “facada” — no sentido figurado, claro — parece ter sido devidamente esquecida.
Não cabe a este editorial julgar alianças políticas. Cada político sabe onde aperta o próprio sapato. Mas cabe ao jornalismo lembrar que o eleitor também tem memória.
É legítimo mudar de opinião. É legítimo rever posições. O que não deixa de ser curioso é assistir à velocidade com que algumas convicções mudam quando o calendário eleitoral aperta.
Talvez Tony Pablo e Fúria tenham simplesmente feito as pazes. Talvez estejam construindo uma nova aliança para 2027. Talvez seja apenas estratégia eleitoral.
Mas uma coisa é certa: a política de Cacoal acaba de trocar a faca pelo abraço — e o eleitor está olhando.
No fim das contas, como diz o caboclo: na política, até quem jurava que não queria mais conversa pode acabar puxando a cadeira para sentar à mesma mesa.



